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Dinheiro na Bolsa é mais barato que nos bancos
As empresas que se organizarem para ingressar no mercado de capitais terão maior facilidade na obtenção de recursos a prazos dilatados e um custo de dinheiro menor que os juros praticados nos empréstimos bancários, de acordo com Sérgio Coutinho, consultor do Núcleo de Mercado de Capitais.
Ao intervir no seminário sobre “Conceito e a visão do mercado de Capitais” dirigido a gestores de empresas, Sérgio Coutinho explicou que, para uma empresa que necessite de capital de longo prazo, por exemplo, e caso os bancos tenham limitado os empréstimos de longo prazo, ela poderá recorrer à bolsa para obter o dinheiro necessário para a sua expansão.
Neste caso, a empresa recorre ao mercado de capitais para vender os seus títulos ao público e adquirir o dinheiro. Esta operação também beneficiará ao comprador, que pode ser um cidadão comum que deseja rentabilizar o dinheiro que tem guardado.
Em vez de ter o dinheiro parado, o cidadão pode aplicar as suas poupanças e obter rendimentos mesmo em espaços de tempo relativamente curtos, porque a tendência do mercado de capitais é de apresentar um “bom índice de liquidez”. Para Sérgio Coutinho, a realidade de Angola demonstra que os bancos comerciais são insuficientes para financiar o desenvolvimento do país, o Governo está impossibilitado de o fazer sozinho e os investidores, por seu turno, estão apáticos.
O mercado de capitais também pode representar preferência dos investidores com relação aos títulos governamentais. Na óptica do consultor, a experiência em outros países demonstra que, quando na ausência de um mercado de capitais actuante que proporcione facilidades de liquidez desses títulos, eles não são preferência dos pequenos e médios investidores iniciantes. Os grandes investidores, por sua vez, também manifestam-se renitentes a essas aplicações.
A Bolsa de Valores surge, assim, como uma forma de diversificar os produtos financeiros, proporcionando aos cidadãos outras oportunidades de aplicação de suas poupanças e, também, um meio de acesso a investimentos directos.
O consultor recorre ainda a outro exemplo para ilustrar o quanto um país como Angola, onde grande parte do dinheiro corre no informal, pode ganhar com um mercado de capitais. Com uma população avaliada em 14 milhões de habitantes, se 30 por cento tiverem, pelo menos, 1000 dólares guardados em casa, isso perfaz 3 biliões de dólares parados, que não ajudam o desenvolvimento do país.
11 de março de 2006
Fonte: Jornal de Angola
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